terça-feira, 12 de outubro de 2010

ORAÇÃO – Parte I

Fé sem oração, é fé sem vigor!

Oração é comunicação, contato, estreitamento no nosso relacionamento com Deus. A importância do tema fica evidente quando Jesus menciona o assunto em vários momentos, é só ler os evangelhos e logo você verá o Senhor estimulando seus discípulos e outros ouvintes a orar.

É atribuída a oração o aspecto de adoração, não que ela não possua essa característica, mas sobretudo a oração antes de tudo é “contato” com Deus.

Desde os tempos mais remotos (período patriarcal) o homem busca a Deus em oração (invocar, apelo).

“...Foi a partir de então que se começou a invocar o nome do Senhor”. (Gênesis 4:26)

Uma Breve Introdução ao Tema

Tipos de orações que o homem desenvolveu ao longo da história:

1ª Período Primitivo: as orações às divindades tinham por característica a necessidade de solicitar o socorro em função de infortúnios e dos perigos. Se você fizer uma leitura do Antigo Testamento você perceberá essa característica do período.

“Senhor, por vós anseio. Meu Deus, conto contigo; não me decepciones! Que meus inimigos não triunfem sobre mim!” (Salmo 25: 1-2)

2ª Ritual: com a evolução cultural as orações começam a se preocupar com a forma e não com o conteúdo, portanto nessa fase as repetições das palavras poderiam ter um efeito mágico para interferir no mundo real. Um exemplo é as orações da 18 preces que é repetida até hoje nas sinagogas judaicas.

“Senhor, Senhor Deus, criador de todas as coisas, temível, forte, justo, misericordioso, o único Rei, o único bom, o único liberal, o único justo, todo-poderoso e eterno, que salvas Israel de todo mal, que fizeste de nossos pais teus eleitos os santificaste...” (2 Macabeus 1:24-25)

3ª Moralista: na religião grega a petição era centrada em valores morais, mais do que as necessidades, portanto evidenciar esse aspecto poderia de alguma forma comover ou “forçar” os deuses a serem favoráveis aos homens.

“O farizeu de pé, rezava assim consigo mesmo: Ó Deus graças te dou por não ser como os outros homens, que são ladrões malfeitores, adúlteros, ou ainda como esse coletor de impostos...” (Lucas 18:11)

4ª Filosófica: deixando de ser realista e ingênua, agora ela contém em seu bojo reflexões sobre a vida e inclui ações de graça.

“Por isso orei, e o discernimento me foi dado; implorei, e o espírito de Sabedoria veio a mim... (Sabedoria 7:7) ...Deus dos pais e Senhor misericordioso, que fizeste o universo por tua palavra e por tua sabedoria formaste o homem, para que dominasse as criaturas por ti chamadas à existência... (Sabedoria 9:1)”.

Heiler, Friedrich: Das Gebet (1945) – A Oração

Como vemos acima o desenvolvimento da forma e conteúdo das orações ao longo da história humana, de alguma forma contaminou a religiosidade judaica e a compreensão do seu significado.

Mas eis que surge Jesus de Nazaré, o Cristo de Deus! E diferentemente de tudo o que se entendia e praticava referente a oração Ele ensina qual é a seu verdadeiro significado, função, importância, necessidade, forma etc.

Apesar de não ser o único texto sobre o tema, mas quero analisá-lo por ser uma orientação e ensino específico.

Pai nosso, que estás nos céus,
Dá a conhecer a todos quem tu és,
faze com que venha o teu Reinado.
faze com que se realize a tua vontade,
na terra a imagem do céu.
Dá-nos hoje o pão de que precisamos,
perdoa-nos as nossas faltas contra ti,
como nós mesmos temos perdoado aos
que tinham faltas contra nós,
e não nos introduzas na tentação,
mas livra-nos do Tentador.

(Mateus 6: 9-13)

Continua na próxima postagem

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